Na última semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma fala polêmica ao citar que um “homem negro e sem dente” não deveria estar na foto que representaria o governo. Uma declaração que, para muitos brasileiros, soa como um equívoco grave — não apenas pela infelicidade das palavras, mas pela simbologia que carrega.
Ao contrário do que o presidente insinuou, o Brasil é feito, sim, de homens negros, trabalhadores, agricultores, operários, guerreiros de ontem e de hoje, muitos dos quais não tiveram acesso a saúde bucal, educação de qualidade ou oportunidades iguais. São esses brasileiros invisibilizados que sustentam a nação.
Falo com propriedade: meu avô era um senhor negro, agricultor, sem dentes, mas com uma dignidade inquebrantável. Um homem que batalhou na lavoura, que serviu à pátria em tempos de guerra, e que nunca precisou de um cargo público para ser grande. Ele representa, como tantos outros, a força e a resistência desse Brasil real — aquele que não cabe em gabinetes, mas pulsa nas mãos calejadas do povo.
Presidente Lula, ao invés de reforçar estereótipos ou tentar definir quem merece ou não estar numa “foto do governo”, o senhor deveria trabalhar mais para garantir dignidade, saúde, educação e oportunidade a todos. O Brasil que o senhor governa não é feito de símbolos perfeitos para propaganda, mas de histórias de vida que, apesar das dores, carregam orgulho, resistência e grandeza.
Meu avô e milhões de brasileiros que se parecem com ele merecem respeito e representatividade, não exclusão em discursos.





