Em pleno período de inverno, quando as atividades turísticas estão reduzidas e muitos trabalhadores enfrentam dias difíceis para garantir o sustento, o que se esperava das instituições públicas era sensibilidade e diálogo. Mas não é isso que vem ocorrendo com os lancheiros de Maragogi, que estão sendo surpreendidos por multas severas aplicadas pelo ICMBio — algumas entre R$ 10 mil e R$ 15 mil — sem sequer terem sido previamente orientados.
A crítica parte justamente da forma como a fiscalização está sendo conduzida: sem aviso, sem escuta, sem nenhuma abordagem inicial educativa. O trabalhador que acorda cedo, enfrenta o mar, luta para manter sua embarcação e sua família, está sendo tratado com arrogância e descaso por agentes que parecem esquecer o que é estar do outro lado da caneca.
O que se defende não é a ausência de fiscalização — mas sim a sua humanização. É preciso sim zelar pelas normas ambientais e pela preservação, mas isso deve caminhar junto com o respeito à dignidade dos trabalhadores. O correto seria que, em uma primeira abordagem, os fiscais orientassem, notificassem verbalmente ou por escrito, e dessem oportunidade para ajustes. A penalização direta, sem aviso, fere não apenas o bolso, mas a esperança de quem tenta sobreviver em um setor cada vez mais exigente.
Vale lembrar que muitos desses profissionais dependem única e exclusivamente dessas atividades para viver, e o inverno deste ano tem sido especialmente difícil, com poucos turistas e muitas restrições climáticas. Não é razoável que, nesse cenário, a resposta do Estado seja o peso da multa sem o mínimo de sensibilidade.
É urgente que o ICMBio reveja sua postura e adote medidas mais humanas. A arrogância de hoje pode ser o reflexo do silêncio de quem nunca imaginou precisar de empatia. Afinal, a caneca gira, e ninguém está imune a estar do outro lado.





