Search
Close this search box.
Search

Caro e gentil leitor,

Nada é estarrecedor na política. Quem diria que aqueles que durante anos foram apresentados como adversários estariam, em algum momento, sentados à mesma mesa, brindando com os melhores whiskies e vinhos, em um ambiente de cordialidade e entendimento?

Em Maragogi, a história política foi construída sobre a narrativa de uma rivalidade entre Sérgio Lira e Marcos Madeira. De um lado e do outro, militantes defendiam suas bandeiras com fervor. Houve quem rompesse amizades, criasse inimizades e até manchasse nomes em defesa de líderes que, supostamente, representavam projetos incompatíveis.

Mas o tempo parece mostrar uma realidade diferente. A tão falada rivalidade pode ter sido muito mais um capítulo do jogo político do que uma verdadeira relação de antagonismo. Na prática, os fatos levam muitos a acreditar que Lira e Madeira jamais foram inimigos políticos de fato, mas parceiros de um mesmo sistema, cada um cumprindo seu papel no tabuleiro.

O sentimento que fica para muitos eleitores é o de terem sido feitos de bobos. Afinal, enquanto a população era incentivada a acreditar que existia uma disputa irreconciliável, os protagonistas dessa história demonstravam que o diálogo e a convivência sempre foram possíveis. Enquanto apoiadores trocavam acusações e alimentavam divisões, os líderes pareciam compreender muito bem que a política é feita de interesses e conveniências.

E como ficam aqueles que brigaram com parentes, romperam amizades e criaram desafetos em nome dessa disputa? Como explicar para quem vestiu a camisa de um lado que o adversário de ontem pode ser o companheiro de mesa de hoje?

Talvez a maior lição seja justamente essa: na política, nem sempre o embate que chega ao eleitor corresponde à realidade dos bastidores. Muitas vezes, quem está no topo do jogo sabe separar divergências eleitorais de relações pessoais e acordos políticos.

No final das contas, quem mais sofre é o eleitor apaixonado, que acredita em rivalidades absolutas e acaba descobrindo que os protagonistas da disputa estavam muito mais próximos do que imaginava.

Porque na política, caro e gentil leitor, os inimigos de campanha costumam se entender muito mais rápido do que aqueles que brigaram por eles.

Veja também: